sábado, 4 de novembro de 2017

A crônica da camisinha faltante



Fazia tempo que não tinha vontade de escrever, mas aí vai um “causo” de minha vida, mais leve, mais suave, mais amor.
Dia desses fui no shopping; e anda daqui, anda dali... o Leo foi ao banheiro e fiquei esperando. Quando vi que na minha frente tinha uma farmácia, pensei: só tem uma camisinha na gaveta. Estava naquela lua, chamada por mim carinhosamente de lua de mel (quem orienta seu ciclo menstrual pelo calendário lunar, sabe do que estou falando); então, entrar naquela farmácia se tornou uma prioridade.
Uma das coisas que sempre me deixam confusa é que nas farmácias praticamente se escondem as camisinhas, quer dizer, mais ou menos, pois sempre ficam perto do caixa. Hipótese um: devem roubar muita camisinha. Hipótese dois: está ali por orientação do Ministério da Saúde, pois, quando você está indo embora, você olha a camisinha e se lembra que é bom ter umas a mais em casa, e assim o controle de natalidade e doenças venéreas é realizado por meio da propaganda subliminar.
Bom, fato é que elas nunca estão na altura dos olhos (já repararam isso?). Estão sempre na parte de baixo da prateleira, o que faz sempre que tenhamos que dar aquela ajoelhadinha para escolher, o que faz que nos escondamos, sumamos da vista (será que é orientação do Ministério da Saúde essa ajoelhadinha, para garantir o sigilo do cliente nas farmácias?).
Me lembro da primeira vez que resolvi comprar camisinha, na época fui em uma farmácia perto da minha antiga faculdade. Eu entrei e fiquei rodando pela farmácia sem achar a dita cuja. Daí veio uma atendente e me perguntou se eu precisava de ajuda, respondi finamente: preservativos. Ela levou um microssusto, não me disse nada e me levou até a prateleira, o sorriso e a espontaneidade dela plenamente treinados para seu cargo desapareceram. Achei estranho...
Voltando ao meu “causo”, entrei na farmácia e logo fui para perto do caixa procurar as camisinhas. Naquela farmácia elas estavam realmente “camufladas” bem na parte inferior da prateleira; tive de agachar muito para escolher, bem desconfortável, fora que elas estavam praticamente na fila do caixa. Me levantei e já tinha duas mulheres atrás de mim na fila, nem liguei, quem mandou colocarem as camisinhas justo ali?
Esperei na fila e logo vi o Leo lá fora me esperando, ele já tinha me achado, já que não avisei que ia entrar ali.
Cheguei no caixa, era uma moça bem simpática, ela tinha tatuado na mão uma tesourinha, fiquei com vontade de perguntar se ela era costureira, mas controlei as minhas fantasias tatuagísticas e não disse nada. Quando ela viu os dois pacotinhos de camisinhas, colocou rapidamente na sacola; e quando eu estava digitando a senha do cartão, ela me disse: quer colocar na bolsa já? Respondi: Claro, obrigada. Daí ela disse: me desculpe, é que não temos uma sacolinha que não seja transparente... e me olhou de um jeito... daí eu entendi o que ela estava querendo dizer; traduzindo, então: Me desculpe, mas não temos uma sacolinha de papel pardo, bem secreta para ninguém notar que você, mulher, ousou comprar camisinhas sozinha em uma farmácia.
Achei bem bizarro para variar. Cabe ressaltar, aqui, que nunca tive esse problema quando o caixa é homem, eles simplesmente colocam na sacola e efetuam a compra. Mas as mulheres sempre soltam alguma PÉROLA. Tudo bem, eu entendo... ou será que o Ministério da Saúde tem a ver com isso?
Saí da farmácia e disse para o Leo: fui comprar camisinha e a caixa disse uma coisa... O Leo me interrompeu e falou: “eu não sei o que a caixa disse, mas tinha duas mulheres atrás de você que estavam bem interessadas na sua compra!”. Respondi: “como assim?”
O Leo então descreveu: “elas ficavam olhando as camisinhas bem interessadas, mas o que a caixa disse?”
Contei para ele o que tinha ocorrido e fui embora pensando sobre isso... nunca perguntei se as minhas amigas compram camisinha, sabe, será que é coisa de homem? Tudo bem que é ele que vai usar, mas é dentro de quem? O “quem” não compra camisinha por causa desse detalhe?
A verdade é que há pouco tempo descobri (em grupo de mulheres no facebook) uma marca de camisinha que não conhecia, uma das poucas que não tem látex natural, o que evita possíveis alergias. A parte engraçada, diria peculiar, é que na embalagem vem escrito: “Origem: Tailândia”. Posso dizer que o pessoal da Ásia faz camisinhas bem mais confortáveis.
Mas, fato é que naquele dia depois de ter passado por aquela situação toda, cheguei em casa e fui guardar na caixinha rosa (coisa de libriana romântica) do meu criado-mudo as camisinhas, e não sei por que resolvi checar a validade, vai saber né, a Tailândia é longe!
E agora cheguei no ápice desse texto!!!
Quando abri o pacotinho, só tinha duas camisinhas, e não três como escrito na embalagem. Conferi novamente, e nada! Pensei: já pago mais caro por elas e ainda me vêm só duas!
Enfim, disse para o Leo e perguntei: “será que aciono o SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) da empresa?”. Ele disse que era bom.
Fiquei com uma raivinha que logo passou, quando fui olhar a embalagem e vi escrito: “Origem: India”.
Como assim? A mesma marca com origem diferente agora!
Naquele momento, sei lá o que me deu, pensei na minha fantasia camisística: A Índia é um país pobre, com certeza aquela camisinha faltante foi roubada por algum funcionário que queria fazer um amorzinho seguro, depois de um dia todo olhando milhares de camisinhas na sua frente. Se eu escrevesse para o SAC, com certeza iriam rastrear o lote e sim: essa pessoa seria demitida!
Oh, Deus!!! O que fazer, então? Naquela altura do campeonato, o funcionário já era um homem na minha cabeça, mas especificamente aquele ator que fez o filme Lion (se você ainda não assistiu esse filme, pare de ler este texto agora!! Pegue uma caixa de lenço e coloca no Netflix!) já imaginando que seu nome seria Raj ou Kabir e já tendo traçado toda a história na minha cabeça, uma comédia romântica de Bollywood com aquelas dancinhas no meio do filme, ah que lindeza! Seria “a saga do herói” indiana (um salve para Josef Campbell). Portanto, cabia a mim escolher: diria à empresa que fui lesada ou salvaria o indiano de uma demissão e, assim, sua possível noite de amor?!
Escolhi a segunda opção, a qual escrevo para vocês, escancarando meu surto literário rotineiro, em que tudo é motivo para uma boa história!
Espero que tenham se divertido até aqui, estou muito feliz por escrever algo mais leve depois de tanto tempo. E para provar que essas palavras são reais, tenho uma foto da camisinha em questão que tirei na época já pensando que assim que desse tempo escreveria este texto.

Boa noite, possíveis leitores!!!
E lembrem-se: o Ministério da Saúde tá de olho em você! 


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